Uma (breve) divagação sobre boas intenções

Eu nunca gostei da frase “de boas intenções o inferno está cheio”, porque, se é uma boa intenção, como pode ser encaixada numa figura que representa ruindade?

Boas intenções são complicadas, porque se elas não saem como o planejado, parecem ruins. Tem muita intenção ruim disfarçada de boa, mas a boa pode ser tão prejudicial quanto uma que tinha o objetivo de magoar. Entendeu? Não? Acho que nem eu.

Enfim, eu reclamo das pessoas, da vida, da humanidade, mas tenho tendências a acreditar quando alguém diz que “não fez por mal”. A situação pode ser absurda, parece que foi tudo um plano maligno pra eu me foder na vida, mas se a pessoa diz que foi sem querer, se eu achar que é verdade, vou adotar aquilo como certo e pronto, acabou a história, todos seguem com a vida.

Boas intenções podem dar em cenários ruins, acabar em choro, em briga, em mágoa. E quem tentou fazer algo certo, acaba se sentindo o último idiota do Reinado dos Imbecis, no Século dos Tapados. É triste. Já aconteceu com todo mundo, tanto ser o bem-intencionado quanto tomar no cu porque alguém achou que estava te ajudando, então, não dá pra apontar o dedo e soltar um VOCÊ É BURRO OU ISSO AQUI É PEGADINHA?

A verdade é que a melhor política é: não se meta. Você acha que o negócio tá ruim, que a pessoa está mal? Conversa com ela, pergunta, se intrometa diretamente, porque se você não conhecer o fulano direito, e tentar consertar as coisas “indiretamente”, em 90% dos casos vai dar em dor de cabeça.

Sei lá, eu prefiro que um colega venha me perguntar o que tá acontecendo, e não ir atrás de algum amigo que saiba da história e tente consertar algo que ele, muito provavelmente, nem sabe direito o que é e como é.

De qualquer forma, isso não é uma indireta, não é direcionado pra ninguém, é só algo que eu pensei e acho que seria de ajuda pra muita gente que tenta fazer o certo e acaba se estabanando no processo.

Deixe um comentário

Arquivado em Domingando, ME AMEM, Sobre pessoas, Wait... What?

Do fim de ano

Advertência: esse post não segue uma ideia linear e, talvez, não faça sentido.

Eu costumava adorar o fim de ano.

Toda a felicidade, as cores, a comida, as reuniões familiares (me arrependo da ideia 5 minutos depois), a esperança de um próximo ano totalmente novo e com pessoas e coisas novas para conhecer.

A verdade é que eu ainda espero por um Natal feliz, com risadas, família, comida e presentes. Torço por um novo ano totalmente branco, para que eu possa escrever e desenhar o que quiser nele. Mas as expectativas são inimigas da felicidade.

Eu nunca tive um Natal legal porque minha família é meio incapaz de fingir felicidade nessa época. E eu aprecio isso, não tem coisa pior do que aquela alegria de mentira, forçada pela “época de dar e receber amor”. Sabe aquele seu vizinho que não olha pra sua cara o ano inteiro, não fala com o zelador do prédio, mas se vocês se encontram no dia 24 ou 25/12 ele vai te dar feliz natal, desejar tudo de bom pra sua família e os cambau, e no dia 26 ele vai voltar ao estado de sempre? Eu odeio esse vizinho. Eu odeio ele o ano inteiro por ser um mal educado que não responder meu bom dia, odeio por fingir que eu não existo no elevador durante 363 dias no ano, mas se sente obrigado a ser educado e efusivo durante dois dias PORQUE SIM.

Não digo isso por ser agnóstica deísta, não tenho nada contra quem comemora Natal, Páscoa, dia de Nossa Senhora Aparecida, tenho contra essa hipocrisia que enche os últimos 45 dias do ano. Se você dá bom dia para o porteiro o ano inteiro e no dia 24 leva comida para ele, eu te amo e espero que apareçam mais pessoas como você. Mas se você é como meu vizinho, acho que não gosto de você, vai embora.

Todo fim de ano é um saco, é horrível, você se questiona o que aconteceu no ano, o que você fez (Simone, sua maldita) e o que vai fazer da sua vida nesse ano que está vindo. E, além de tudo isso, tem a simpatia natalina. Eu não preciso de educação alheia sazonal, prefiro que continue me ignorando como fez o ano inteiro.

Existem pessoas positivas, existem pessoas pessimistas e os que preferem nem pensar, porque isso leva ao álcool, que leva à vergonha pública e à uma ressaca física e moral sem precedentes. Eu estou nesse último grupo.

Considero meus padrões muito baixos: encontrar a profissão que eu goste e conseguir ganhar o mínimo de dinheiro com isso. Eu não espero ficar rica trabalhando, gosto da área de humanas e a humanidade está pagando cada vez menos. Mas passar fome seria meio chato.

Entretanto, eu ainda espero que isso aconteça, que eu encontre algo onde sou boa e fazer aquilo. Espero mesmo, porque se eu desistir até disso… Complicou.

E eu também espero que pessoas queridas, sejam os amigos que eu vejo toda semana ou os que eu não falo há meses, me desejem feliz natal e feliz ano novo. Faz sentido? Não, porque eu não dou a mínima qual dia do ano que é (mentira, eu ligo e muito para a comida), mas acho legal a pessoa dividir isso comigo. Tenho amigos que transformam a casa naquela Seção do Papai Noel do Shopping, então, se eles acham que eu valho o tempo de desejar Feliz Natal sinceramente, é uma coisa linda.

Assim como divido com o pessoal maneiro os livros e filmes legais que eu conheci, ou sobre como eu finalmente consegui me formar na faculdade, eu gosto que os viciados em luzinhas e rojões falem comigo sobre esses feriados, sobre o que eles querem que aconteça a partir do dia 1º de janeiro, etc.

Enfim, feliz natal e ano novo pra você que está ai, amando o fim de ano e já planejando a ceia; ou que odeia esse negócio e pretende passar os dias 24 e 31 bêbado e/ou no computador. Eu gosto de vocês por tudo que fazem durante 363 dias, não pelo modo que lidam com os dois dias restantes.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Das amizades

E mais uma vez eu estou filosófica e acabo de concluir uma coisa: amizades são coisas muito descartáveis.*

Sinceramente não sei como era “antes”, porque desde que eu me lembro as coisas são assim. Na 1ª série as crianças que se aproximavam de mim era ou pra comer meu lanche ou porque, de algum jeito místico e inconsciente, elas achavam que eu seria uma boa pessoa para se ter ao lado. (Leia-se: eu era a mais alta da turma e ninguém mexia comigo ou com quem estivesse comigo)

Depois, na 5ª série, um grupo de rebeldes se aproximou parte por eu ser antissocial (acho que eles consideraram isso muito legal) e parte por ser a única da sala, além deles, que sabia o que era Pink Floyd. E “sabia”, né, porque era uma banda que eu gostava e ouvia desde sempre graças ao meu pai. Só.

Daí pra frente foi a mesma coisa, sempre o mesmo tipo de grupo, nunca mantendo as amizades originais, incluindo quando eu morei por 10 anos no mesmo lugar. Poucas pessoas criam amizade pelo simples prazer de ter alguém pra falar sobre qualquer coisa. Pra mim isso que é amizade: ter um infeliz que vai me ouvir falar desde problemas profundos até minha opinião sobre porque eu prefiro números pares aos ímpares (menos o 1, ele é só diferente e não ruim como o resto). E o contrário também é válido, eu vou querer ouvir o que a pessoa tem a dizer, porque eu gosto de conversar com ela não interessa sobre o que. Claro que isso começa por algum interesse também, afinal nenhuma interação humana é gratuita, mas vocês entenderam meu ponto.

Sim, existem inúmeros motivos para o distanciamento de amigos, mas a maioria, eu acredito, acontece porque a pessoa X não precisa mais da Y. Não como precisava antes, pelo menos.
Meu penúltimo caso de amizade que aconteceu por necessidade foi em 2011 com mais 6 pessoas: éramos inseparáveis, todos estavam machucados por N motivos, então todos se amparavam uns nos outros. Até que os machucados começaram a cicatrizar e cada um foi pra um canto.
Não, não paramos de nos ver (só porque estamos na mesma sala da faculdade), mas não era a mesma coisa.

Isso foi ruim? Mais ou menos. As minhas necessidades para com eles ainda estavam frescas, então eu sofri por uns meses. Era como um término de namoro, a dor, a raiva, aí o recalque e depois a aceitação.

Já meu último caso de amizade aconteceu porque os dois precisavam de alguém pra filosofar e falar dos devaneios diários e aleatórios. Foi bom enquanto durou, porque os dois tem o mesmo gosto para muitas coisas, então as conversar eram quase infinitas.
Mas, como eu disse, também era tudo superficial e descartável. Ele foi para um lado, eu continue onde paramos e só percebi isso hoje, ou seja, estou no 1º estágio: dor.

Eu realmente to de saco cheio disso. Claro que já devo ter feito isso com alguém, mais de uma vez, mas isso não anula meu direito de ficar profundamente irritada quando acontece comigo. Não que eu odeie a todos meus “amigos”, amigos e colegas, mas a mágoa fica e não tem muito o que fazer. Pode ser só uma fase esse distanciamento todo, mas eu não tenho tendência a ser otimista assim.

A necessidade junta as pessoas e a satisfação da mesma as separa, e pode ser indolor para as duas partes ou não. Mas com certeza será dolorido para uma e indiferente para a outra, pois se os dois lados sofressem com isso a amizade continuaria. (Na verdade há o caso do “Namorado/a que mandou você parar de falar com o/a amiguinho/a, mas isso é história pra outro dia e o negócio é mais complicado)

Meu ponto é: amigo, mas amigo mesmo, você conta, no máximo e com MUITA sorte, nos dedos de uma mão.

Já eu conto com um dedo só.

*Esse texto foi concebido após o shuffle do celular tocar It’s Hard To Get Around The Wind, do Alex Turner, para a trilha sonora do filme Submarine. Recomendo a ouvida clicando aqui.

8 Comentários

Arquivado em Sem categoria

Uma história triste sobre Tristeza

Desde que me lembro nunca consegui entender porque ele é assim. Quando era criança a minha mãe dizia que ele estava triste e por isso gritava e quebrava as coisas, televisão e som altos era culpa de uma surdez causada por ouvir walkman alto demais. Mas não era sempre que isso acontecida, nos finais de semana ele não estava triste e, por isso, não gritava e não quebrava nada, e a surdez também não dava as caras. Tudo era calmo em casa, quieto, a não ser por vezes que minha mãe chorava escondido e não falava com ninguém. Acho que ela fica triste de um jeito diferente.

A partir dos 9 anos eu comecei a ter amigos com quem brincar e tinha vergonha quando ele chegava cambelando e passava por mim e pelas outras crianças. Os mais velhos, com 12 ou 13 anos, desviavam o olhar, envergonhados por mim e por ele, os mais novos olhavam curiosos pra entender porque ele estava daquele jeito. Era uma doença? Uma brincadeira? Eu ainda achava que ele estava triste mas não absolvia o porquê da situação ser tão diferente de quando os outros estavam infelizes. Quando eu ficava triste só chorava, as vezes escondido e as vezes não, mas não precisava fazer que nem ele: cambalear, cheirar estranho e gritar comigo e com o meu irmão por coisas que eu não entendia.

Com 12 anos veio o câncer. Algo que os médicos poderiam ter descoberto antes, mas uns achavam que era um borrão no exame, outros nem enxergavam o “borrão”. Eu só fiquei triste, minha mãe estava triste e eu não conseguia ficar bem olhando ela daquele jeito. O tumor era operável e a porcentagem de tudo dar certo era alta, mas ela estava desesperada porque seu marido, seu amor, tinha um tumor. No dia da operação eu fui até o hospital com toda a família, incluindo tios e avós, ele já estava internado desde o dia anterior e eu o vi, dei um abraço e fui embora. Chorava muito, não queria dormir fora da minha casa, longe da minha cama e do meu irmão, que iria para a casa da Tia Lene e eu para a casa da Vó Ivone. Foram horas chorando sem parar e até hoje eu acho que não foi por ele, acho que foi pelo sofrimento da minha mãe e do meu irmão que eu observei tão de perto.

Três anos depois eu já era uma adolescente rebelde, com amigos virtuais e um ex namorado. Ele era um sobrevivente do câncer, que estava bebendo e fumando de novo. A nossa relação já não podia ser chamada assim, de “relação”, era uma convivência amigável nas noites e fins de semana sóbrios, nas noites em que ele chegava em casa, dava um beijo na testa de todo mundo e ficava sozinho no quarto, assistindo filmes antigos ou trabalhando. Noites felizes, ao contrário da maioria em que ele chegava e ainda gritava e quebrava coisas. Mas agora eu entendia o que ele falava, entendia os palavrões, os insultos e as revoltas. Revoltado com pessoas da empresa, do bar ou da televisão, mas ele descontava em mim, a filha mais velha que ficava tempo demais no computador, que nunca falava com ele e nunca respondia nada quando ele perguntava qualquer coisa de porre. A raiva que sentia por ele aumentava e comecei a sentir a mesma coisa pela minha mãe e irmão. Ela observa o sofrimento dos filhos e ainda está casada com ele, enquanto meu irmão sofria mas conseguia perdoar tudo rapidamente, como se o que a gente ouvisse fosse algo bobo, de uma criança. Acho que a raiva vinha da inveja de não ter essa capacidade de perdoar e esquecer.

22 anos, eu trabalho, estudo e não fico em casa direito. Saio as 11 e volto meia noite, quem aguenta tudo é a minha mãe. Nossa relação continua tão monossilábica quanto antes, há mágoa demais e perdão de menos pelas duas partes. Ele não se perdoa e eu também não o perdôo, ele tem mágoa por isso e eu tenho mágoa por tudo.

35 anos, casada, dois filhos e um emprego que eu amo. Minha família é o contrário do que foi aquela onde eu cresci. Ninguém berra, xinga ou deixa a mágoa impregnar no corpo, o diálogo existe e somos quase uma porcaria de clichê de filme americano. Recebo o telefonema do meu irmão. Ele morreu. Teve um enfarte fulminante em casa, sóbrio, mas nem chegou ao hospital e minha mãe precisa de ajuda. Ela não está em choque, chorando sem parar ou algo assim, na verdade ela não chorou e não consegue parar quieta. É assim que ela fez em 2010 com o meu avô, alguns anos depois com a minha avó e agora com ele. Há meses eu não o via, muito menos meus filhos que sempre perguntam do vô e da vó, mas eu ainda não conseguia lidar com as pessoas que me ajudaram a ser tão amarga.
Agora ele se foi, nunca mais terei a oportunidade de tentar e ter um pai de verdade, que eu ligo quando preciso de conselhos e que joga bola com meus filhos nos feriados.
A verdade é que eu estou brava, não pelos mesmos motivos de antes, mas por ele ter ido sem eu conseguir conversar, sem ter dito “tudo bem, pai, já passou e ficar guardando essas coisas não adianta, não fica assim”, ou “pai, eu já te desculpei e agora vamos mudar de assunto porque o Palmeiras vai jogar”, ou só “claro que eu te desculpo”.

Deixe um comentário

Arquivado em Domingando, ME AMEM, Sobre pessoas

Receber a notícia não é a pior parte como todos acham. Porque não parece real, ela achava que era um sonho, um pesadelo, uma brincadeira, câmera escondida do Silvio Santos. Mas não verdade.

Ela chegou na minha casa e ficou na sala, olhando para a tv e esperando. Todos em volta corriam, não queriam parar para pensar sobre, e ela também queria poder se ocupar mas não deixaram: “você não precisa fazer nada hoje”. Então ela ficou “assistindo” tv e aguardando até a hora de sair, chorou um pouco.

“Será que é verdade?”

No velório tinha muita gente. Ela sempre gostou das pessoas, de falar e conversar e contar piadas, sempre teve a boca suja e adorava de ver como todos reagiam aos palavrões. Os parentes e amigos vinham conversar, ela agradecia a atenção, jogava um pouco de papo fora e partia para o próximo grupo de pessoas.

O choro veio novamente quando o caixão chegou. Como assim era ele ali? Com aquela cara calma, como se estivesse só dormindo depois do almoço, esperando o jogo do Santos? “Por que ele? Por que aconteceu comigo?” e precisou sentar um pouco.

“Por que eu preciso aguentar tudo isso?”

No caminho para o cemitério o carro foi meio quieto, às vezes tentavam puxar assunto porque o caminho era longo: não é fácil achar um lugar bonito e facilmente acessível. Ela não ligava para a distância, afinal seria ali que ele descansaria, consideravelmente longe, mas na paz da distância dos prédios, do trânsito e do barulho das cidades. Igualzinho a Cianorte, onde eles moraram por tanto tempo.

Era difícil digerir tudo aquilo, ela queria poder trocar de lugar. “Eu já vivi bastante, eu que estou com problema no joelho e já não posso andar muito”, na barganha interna ela esqueceu que ele já tivera um derrame e estava com Alzheimer.

“Mas ainda quero trocar de lugar. Ou ir junto”

O pior aconteceu quando o caixão começou a descer. A verdade a machucou como ninguém nunca tinha feito e dificilmente fará. Ela quase caiu, foi amparada pelos netos, e chorou e soluçou até a dor tomar conta do corpo todo, assim ela não a percebia mais. O estupor era forte, ela resolveu deixar tudo para lá.

“Pra que me preocupar? Nem dor eu sinto”.

Muitos meses dormindo na casa das filhas, passando os dias longe de casa. Com o tempo veio a conclusão de que a vida não para, ela podia fazer suas coisas depois de tudo, não era crime viver.

A verdade é que até hoje ela não sabe se aceitou ou se continua no mesmo estupor desde o momento em que jogou o punhado de terra sobre o caixão. Se realmente há um meio de superar e viver como todos dizem que ela deve fazer.

Mas ela não quer saber, não liga, é muito paciente e está só esperando. O que, exatamente, ela não sabe, mas sabe que está chegando e o estupor vai passar. Infelizmente não será bom para todo mundo, mas ela sabe que alguém vai entender e ficar feliz porque a dor finalmente terá ido embora e ela o encontrará por lá, o lugar igualzinho a Cianorte, onde eles moraram por tanto tempo.

Deixe um comentário

agosto 15, 2013 · 5:55 pm

Do ego nas internets

As vezes eu tenho uns brainstorm (leia-se: fico entediada e começo a filosofar do modo mais barato possível) sobre a vida e o dessa semana é sobre nosso egocentrismo online.

Quase todo mundo usa as redes sociais para contar sobre a vida e/ou postar imagens, vídeos etc., mas com o tempo apareceram os check-in’s. Facebook e Foursquare: estou no Lugar X, com Essas Pessoas; GetGlue: estou assistindo/lendo/jogando Tal Coisa.

Além, é claro, das redes sociais de pergunta e resposta ou definidoras: formspring, ask.fm, threewords etc.

E todos eles encaminham para o Twitter, Facebook, Orkut, Limão, Sônico, Chat do Uol e a puta que pariu, como se todos seus amigos quisessem receber essa enxurrada de informações que ninguém pediu.

Eu não nego: uso GetGlue e Foursquare, acho legal manter um tracking do que eu assisto e para onde vou, principalmente porque compartilho com o Twitter e Facebook e posso relembrar tudo isso com o TimeHop. (percebam o tanto de redes sociais incluídas num só parágrafo que se refere a uma única pessoa. Sua mãe usa o Facebook pra falar com as amigas, postar fotos de cachorros e olhe lá, se você falar o nome de todas essas redes sociais é capaz da cabeça dela explodir e aparecer um buraco negro)

Mas a questão é: vocês já pararam pra pensar que 98% dos seus amigos/seguidores não querem realmente saber de tudo isso? Uma coisa é usar o Foursquare (já que os que estão lá querem a função dessa rede social para eles), outra é postar onde você está no Twitter e no Facebook como se alguém realmente quisesse saber disso. Tirando os dias em que eu estou indo encontrar meus amigos dificilmente leio qualquer check-in de Foursquare em qualquer rede social. É como se meu cérebro tivesse criado um filtro “Não me interessa mas é socialmente aceitável”, ou seja, eu não leio e estou pouco me fodendo pra onde você está, mas não reclamo porque todo mundo faz.

Só que ai aparecem os sites e redes sociais pouco aceitos, usados por quem atingiu um novo nível de oversharing: ask.fm, Quem olhou seu twitter, Quantas pessoas olharam seu perfil, Quantos RT’s e Fav’s você recebeu na semana etc ad infinitum. Conheço algumas pessoas que usam isso aí, eu mesma experimentei o de RT’s na semana, mas no 1º compartilhamento já fiquei com preguiça e desvinculei minha conta.

Não julgo quem usa esses sites porque todo mundo é egocêntrico, todos gostam de imaginar que sim, eu sou interessante e todos querem saber da minha vida (triste realidade). Mas é como chegar na sua roda de amigos e do nada soltar uma cachoeira de informações que ninguém pediu: “assisti filme X, fui no lugar Y com Fulano, consegui achievement Z, 40 pessoas olharam meu perfil hoje e olha a foto do meu gato comendo um pernilongo LOL”. Eu realmente espero que você não faça isso, parece sintoma de esquizofrenia.

É aleatório, é desnecessário e agora virou rotina na sociedade online. Quando eu penso nisso até dá aquela vergonhazinha alheia, aquela que você torce a cara sozinho, sabe? Porque eu paro e faço uma lista de pessoas que podem estar verdadeiramente interessadas onde eu estou e no que estou fazendo: o namorado e minha mãe. Pronto. Acabou a lista aí mesmo.

E uma observação: os dois podem me ligar, mandar sms ou mensagem no whatsapp se quiserem saber o que eu to fazendo, onde e com quem. Daí… A vergonha alheia volta.

Claro que o compartilhamento pode ser útil porque você mostra lugares e coisas que seus amigos não conhecem e podem vir a conhecer, mas isso é conversa pra aula de Sociologia com o tema “A internet está acabando com as relações interpessoais”.

De qualquer modo, foi só uma ideia que estava coçando na minha cabeça e eu queria falar sobre. Então você pergunta “quem disse que eu quero saber disso?” e eu respondo “pronto, você entendeu a ideia desse post”.

4 Comentários

Arquivado em Domingando, Sobre pessoas, Wait... What?

Do sofrimento por antecipação

10hrs da noite, domingo

– Ai, amor, to muito irritada. Tenho que acordar 5 da manhã.

– Por quê?

– Meu chefe pediu ajuda numa reunião e eu preciso chegar antes para arrumar tudo, a reunião é às 8 e eu preciso estar no escritório umas 6:30.

– Que absurdo, por que você?

– Ah, eu não considero isso algo ruim, afinal o chefe confia que eu deixarei tudo certo pra uma reunião importante!

– Então por que você tá reclamando, sua maluca?

1 hora depois

– E foi assim que ele terminou com ela, na frente de todo mundo, na porta do escritório.

– E ela não fez nada? Ficou lá ouvindo os gritos com cara de paisagem?

– Pois é, acho que ela entrou em choque… Fiquei com dó, mas não quis me meter, vai que aquele namorado maluco resolve me xingar também, né.

– Ah, mas se ele faz isso eu procuro o idiota até o 7º círculo do inferno pra perguntar por que ele é tão babaca.

– … Aham

– Faço isso, sim. Sou calmo com tudo, mas ninguém te xinga. Só eu.

– Mas você também não me xinga.

– Viu?

Outra 1 hora depois…

– E é por isso que o liberalismo não é bom.

– Mas você é um comunista de araque, né, amor?

– Eu só acho que a população precisa crescer começando embaixo, porque assim as camadas superiores evoluem também. É assim que a vida tem que ser.

– Ok, faz sentido.

– Claro que faz sentido, eu que to te falando.

– Vai dormir, comunistinha.

1 hora da manhã, segunda

– Nossa, esses programas da madrugada são horríveis

– São, mas são engraçados.

– Podia reprisar o Silvio Santos.

– Né? Hoje nós assistimos o programa?

– Não, nós assistimos aquela maratona do History Channel.

– Você assistiu aquilo, eu fiquei na internet.

– Como se isso fosse melhor!

– Claro que é, internet reúne todas essas informações do History e na outra aba eu posso ler o Reddit.

– Justo.

Meia hora depois…

– Amor! Você acorda em três horas e meia!!

– Eu? Por quê?

– Você não falou da reunião e do seu chefe e da menina que foi chutada pelo namorado?

– Sim, mas o que tem?

– … Você disse que precisa acordar às 5 da manhã, Juliana.

– Ahhhh, não, não. Eu acordo às 5, mas em 2 semanas, não amanhã.

– … Por que você veio falar daquele jeito, então?

– Ué, porque eu descobri hoje, vi meu email e tinha uma mensagem do chefe explicando tudo aquilo.

– …

– Ai, amor, me deixa sofrer por antecipação, quem sabe na hora a agonia é menor?

Deixe um comentário

Arquivado em Domingando, ME AMEM, Sobre pessoas, Wait... What?