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Uma (breve) divagação sobre boas intenções

Eu nunca gostei da frase “de boas intenções o inferno está cheio”, porque, se é uma boa intenção, como pode ser encaixada numa figura que representa ruindade?

Boas intenções são complicadas, porque se elas não saem como o planejado, parecem ruins. Tem muita intenção ruim disfarçada de boa, mas a boa pode ser tão prejudicial quanto uma que tinha o objetivo de magoar. Entendeu? Não? Acho que nem eu.

Enfim, eu reclamo das pessoas, da vida, da humanidade, mas tenho tendências a acreditar quando alguém diz que “não fez por mal”. A situação pode ser absurda, parece que foi tudo um plano maligno pra eu me foder na vida, mas se a pessoa diz que foi sem querer, se eu achar que é verdade, vou adotar aquilo como certo e pronto, acabou a história, todos seguem com a vida.

Boas intenções podem dar em cenários ruins, acabar em choro, em briga, em mágoa. E quem tentou fazer algo certo, acaba se sentindo o último idiota do Reinado dos Imbecis, no Século dos Tapados. É triste. Já aconteceu com todo mundo, tanto ser o bem-intencionado quanto tomar no cu porque alguém achou que estava te ajudando, então, não dá pra apontar o dedo e soltar um VOCÊ É BURRO OU ISSO AQUI É PEGADINHA?

A verdade é que a melhor política é: não se meta. Você acha que o negócio tá ruim, que a pessoa está mal? Conversa com ela, pergunta, se intrometa diretamente, porque se você não conhecer o fulano direito, e tentar consertar as coisas “indiretamente”, em 90% dos casos vai dar em dor de cabeça.

Sei lá, eu prefiro que um colega venha me perguntar o que tá acontecendo, e não ir atrás de algum amigo que saiba da história e tente consertar algo que ele, muito provavelmente, nem sabe direito o que é e como é.

De qualquer forma, isso não é uma indireta, não é direcionado pra ninguém, é só algo que eu pensei e acho que seria de ajuda pra muita gente que tenta fazer o certo e acaba se estabanando no processo.

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Das amizades

E mais uma vez eu estou filosófica e acabo de concluir uma coisa: amizades são coisas muito descartáveis.*

Sinceramente não sei como era “antes”, porque desde que eu me lembro as coisas são assim. Na 1ª série as crianças que se aproximavam de mim era ou pra comer meu lanche ou porque, de algum jeito místico e inconsciente, elas achavam que eu seria uma boa pessoa para se ter ao lado. (Leia-se: eu era a mais alta da turma e ninguém mexia comigo ou com quem estivesse comigo)

Depois, na 5ª série, um grupo de rebeldes se aproximou parte por eu ser antissocial (acho que eles consideraram isso muito legal) e parte por ser a única da sala, além deles, que sabia o que era Pink Floyd. E “sabia”, né, porque era uma banda que eu gostava e ouvia desde sempre graças ao meu pai. Só.

Daí pra frente foi a mesma coisa, sempre o mesmo tipo de grupo, nunca mantendo as amizades originais, incluindo quando eu morei por 10 anos no mesmo lugar. Poucas pessoas criam amizade pelo simples prazer de ter alguém pra falar sobre qualquer coisa. Pra mim isso que é amizade: ter um infeliz que vai me ouvir falar desde problemas profundos até minha opinião sobre porque eu prefiro números pares aos ímpares (menos o 1, ele é só diferente e não ruim como o resto). E o contrário também é válido, eu vou querer ouvir o que a pessoa tem a dizer, porque eu gosto de conversar com ela não interessa sobre o que. Claro que isso começa por algum interesse também, afinal nenhuma interação humana é gratuita, mas vocês entenderam meu ponto.

Sim, existem inúmeros motivos para o distanciamento de amigos, mas a maioria, eu acredito, acontece porque a pessoa X não precisa mais da Y. Não como precisava antes, pelo menos.
Meu penúltimo caso de amizade que aconteceu por necessidade foi em 2011 com mais 6 pessoas: éramos inseparáveis, todos estavam machucados por N motivos, então todos se amparavam uns nos outros. Até que os machucados começaram a cicatrizar e cada um foi pra um canto.
Não, não paramos de nos ver (só porque estamos na mesma sala da faculdade), mas não era a mesma coisa.

Isso foi ruim? Mais ou menos. As minhas necessidades para com eles ainda estavam frescas, então eu sofri por uns meses. Era como um término de namoro, a dor, a raiva, aí o recalque e depois a aceitação.

Já meu último caso de amizade aconteceu porque os dois precisavam de alguém pra filosofar e falar dos devaneios diários e aleatórios. Foi bom enquanto durou, porque os dois tem o mesmo gosto para muitas coisas, então as conversar eram quase infinitas.
Mas, como eu disse, também era tudo superficial e descartável. Ele foi para um lado, eu continue onde paramos e só percebi isso hoje, ou seja, estou no 1º estágio: dor.

Eu realmente to de saco cheio disso. Claro que já devo ter feito isso com alguém, mais de uma vez, mas isso não anula meu direito de ficar profundamente irritada quando acontece comigo. Não que eu odeie a todos meus “amigos”, amigos e colegas, mas a mágoa fica e não tem muito o que fazer. Pode ser só uma fase esse distanciamento todo, mas eu não tenho tendência a ser otimista assim.

A necessidade junta as pessoas e a satisfação da mesma as separa, e pode ser indolor para as duas partes ou não. Mas com certeza será dolorido para uma e indiferente para a outra, pois se os dois lados sofressem com isso a amizade continuaria. (Na verdade há o caso do “Namorado/a que mandou você parar de falar com o/a amiguinho/a, mas isso é história pra outro dia e o negócio é mais complicado)

Meu ponto é: amigo, mas amigo mesmo, você conta, no máximo e com MUITA sorte, nos dedos de uma mão.

Já eu conto com um dedo só.

*Esse texto foi concebido após o shuffle do celular tocar It’s Hard To Get Around The Wind, do Alex Turner, para a trilha sonora do filme Submarine. Recomendo a ouvida clicando aqui.

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