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Do fim de ano

Advertência: esse post não segue uma ideia linear e, talvez, não faça sentido.

Eu costumava adorar o fim de ano.

Toda a felicidade, as cores, a comida, as reuniões familiares (me arrependo da ideia 5 minutos depois), a esperança de um próximo ano totalmente novo e com pessoas e coisas novas para conhecer.

A verdade é que eu ainda espero por um Natal feliz, com risadas, família, comida e presentes. Torço por um novo ano totalmente branco, para que eu possa escrever e desenhar o que quiser nele. Mas as expectativas são inimigas da felicidade.

Eu nunca tive um Natal legal porque minha família é meio incapaz de fingir felicidade nessa época. E eu aprecio isso, não tem coisa pior do que aquela alegria de mentira, forçada pela “época de dar e receber amor”. Sabe aquele seu vizinho que não olha pra sua cara o ano inteiro, não fala com o zelador do prédio, mas se vocês se encontram no dia 24 ou 25/12 ele vai te dar feliz natal, desejar tudo de bom pra sua família e os cambau, e no dia 26 ele vai voltar ao estado de sempre? Eu odeio esse vizinho. Eu odeio ele o ano inteiro por ser um mal educado que não responder meu bom dia, odeio por fingir que eu não existo no elevador durante 363 dias no ano, mas se sente obrigado a ser educado e efusivo durante dois dias PORQUE SIM.

Não digo isso por ser agnóstica deísta, não tenho nada contra quem comemora Natal, Páscoa, dia de Nossa Senhora Aparecida, tenho contra essa hipocrisia que enche os últimos 45 dias do ano. Se você dá bom dia para o porteiro o ano inteiro e no dia 24 leva comida para ele, eu te amo e espero que apareçam mais pessoas como você. Mas se você é como meu vizinho, acho que não gosto de você, vai embora.

Todo fim de ano é um saco, é horrível, você se questiona o que aconteceu no ano, o que você fez (Simone, sua maldita) e o que vai fazer da sua vida nesse ano que está vindo. E, além de tudo isso, tem a simpatia natalina. Eu não preciso de educação alheia sazonal, prefiro que continue me ignorando como fez o ano inteiro.

Existem pessoas positivas, existem pessoas pessimistas e os que preferem nem pensar, porque isso leva ao álcool, que leva à vergonha pública e à uma ressaca física e moral sem precedentes. Eu estou nesse último grupo.

Considero meus padrões muito baixos: encontrar a profissão que eu goste e conseguir ganhar o mínimo de dinheiro com isso. Eu não espero ficar rica trabalhando, gosto da área de humanas e a humanidade está pagando cada vez menos. Mas passar fome seria meio chato.

Entretanto, eu ainda espero que isso aconteça, que eu encontre algo onde sou boa e fazer aquilo. Espero mesmo, porque se eu desistir até disso… Complicou.

E eu também espero que pessoas queridas, sejam os amigos que eu vejo toda semana ou os que eu não falo há meses, me desejem feliz natal e feliz ano novo. Faz sentido? Não, porque eu não dou a mínima qual dia do ano que é (mentira, eu ligo e muito para a comida), mas acho legal a pessoa dividir isso comigo. Tenho amigos que transformam a casa naquela Seção do Papai Noel do Shopping, então, se eles acham que eu valho o tempo de desejar Feliz Natal sinceramente, é uma coisa linda.

Assim como divido com o pessoal maneiro os livros e filmes legais que eu conheci, ou sobre como eu finalmente consegui me formar na faculdade, eu gosto que os viciados em luzinhas e rojões falem comigo sobre esses feriados, sobre o que eles querem que aconteça a partir do dia 1º de janeiro, etc.

Enfim, feliz natal e ano novo pra você que está ai, amando o fim de ano e já planejando a ceia; ou que odeia esse negócio e pretende passar os dias 24 e 31 bêbado e/ou no computador. Eu gosto de vocês por tudo que fazem durante 363 dias, não pelo modo que lidam com os dois dias restantes.

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