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Das amizades

E mais uma vez eu estou filosófica e acabo de concluir uma coisa: amizades são coisas muito descartáveis.*

Sinceramente não sei como era “antes”, porque desde que eu me lembro as coisas são assim. Na 1ª série as crianças que se aproximavam de mim era ou pra comer meu lanche ou porque, de algum jeito místico e inconsciente, elas achavam que eu seria uma boa pessoa para se ter ao lado. (Leia-se: eu era a mais alta da turma e ninguém mexia comigo ou com quem estivesse comigo)

Depois, na 5ª série, um grupo de rebeldes se aproximou parte por eu ser antissocial (acho que eles consideraram isso muito legal) e parte por ser a única da sala, além deles, que sabia o que era Pink Floyd. E “sabia”, né, porque era uma banda que eu gostava e ouvia desde sempre graças ao meu pai. Só.

Daí pra frente foi a mesma coisa, sempre o mesmo tipo de grupo, nunca mantendo as amizades originais, incluindo quando eu morei por 10 anos no mesmo lugar. Poucas pessoas criam amizade pelo simples prazer de ter alguém pra falar sobre qualquer coisa. Pra mim isso que é amizade: ter um infeliz que vai me ouvir falar desde problemas profundos até minha opinião sobre porque eu prefiro números pares aos ímpares (menos o 1, ele é só diferente e não ruim como o resto). E o contrário também é válido, eu vou querer ouvir o que a pessoa tem a dizer, porque eu gosto de conversar com ela não interessa sobre o que. Claro que isso começa por algum interesse também, afinal nenhuma interação humana é gratuita, mas vocês entenderam meu ponto.

Sim, existem inúmeros motivos para o distanciamento de amigos, mas a maioria, eu acredito, acontece porque a pessoa X não precisa mais da Y. Não como precisava antes, pelo menos.
Meu penúltimo caso de amizade que aconteceu por necessidade foi em 2011 com mais 6 pessoas: éramos inseparáveis, todos estavam machucados por N motivos, então todos se amparavam uns nos outros. Até que os machucados começaram a cicatrizar e cada um foi pra um canto.
Não, não paramos de nos ver (só porque estamos na mesma sala da faculdade), mas não era a mesma coisa.

Isso foi ruim? Mais ou menos. As minhas necessidades para com eles ainda estavam frescas, então eu sofri por uns meses. Era como um término de namoro, a dor, a raiva, aí o recalque e depois a aceitação.

Já meu último caso de amizade aconteceu porque os dois precisavam de alguém pra filosofar e falar dos devaneios diários e aleatórios. Foi bom enquanto durou, porque os dois tem o mesmo gosto para muitas coisas, então as conversar eram quase infinitas.
Mas, como eu disse, também era tudo superficial e descartável. Ele foi para um lado, eu continue onde paramos e só percebi isso hoje, ou seja, estou no 1º estágio: dor.

Eu realmente to de saco cheio disso. Claro que já devo ter feito isso com alguém, mais de uma vez, mas isso não anula meu direito de ficar profundamente irritada quando acontece comigo. Não que eu odeie a todos meus “amigos”, amigos e colegas, mas a mágoa fica e não tem muito o que fazer. Pode ser só uma fase esse distanciamento todo, mas eu não tenho tendência a ser otimista assim.

A necessidade junta as pessoas e a satisfação da mesma as separa, e pode ser indolor para as duas partes ou não. Mas com certeza será dolorido para uma e indiferente para a outra, pois se os dois lados sofressem com isso a amizade continuaria. (Na verdade há o caso do “Namorado/a que mandou você parar de falar com o/a amiguinho/a, mas isso é história pra outro dia e o negócio é mais complicado)

Meu ponto é: amigo, mas amigo mesmo, você conta, no máximo e com MUITA sorte, nos dedos de uma mão.

Já eu conto com um dedo só.

*Esse texto foi concebido após o shuffle do celular tocar It’s Hard To Get Around The Wind, do Alex Turner, para a trilha sonora do filme Submarine. Recomendo a ouvida clicando aqui.

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Do ego nas internets

As vezes eu tenho uns brainstorm (leia-se: fico entediada e começo a filosofar do modo mais barato possível) sobre a vida e o dessa semana é sobre nosso egocentrismo online.

Quase todo mundo usa as redes sociais para contar sobre a vida e/ou postar imagens, vídeos etc., mas com o tempo apareceram os check-in’s. Facebook e Foursquare: estou no Lugar X, com Essas Pessoas; GetGlue: estou assistindo/lendo/jogando Tal Coisa.

Além, é claro, das redes sociais de pergunta e resposta ou definidoras: formspring, ask.fm, threewords etc.

E todos eles encaminham para o Twitter, Facebook, Orkut, Limão, Sônico, Chat do Uol e a puta que pariu, como se todos seus amigos quisessem receber essa enxurrada de informações que ninguém pediu.

Eu não nego: uso GetGlue e Foursquare, acho legal manter um tracking do que eu assisto e para onde vou, principalmente porque compartilho com o Twitter e Facebook e posso relembrar tudo isso com o TimeHop. (percebam o tanto de redes sociais incluídas num só parágrafo que se refere a uma única pessoa. Sua mãe usa o Facebook pra falar com as amigas, postar fotos de cachorros e olhe lá, se você falar o nome de todas essas redes sociais é capaz da cabeça dela explodir e aparecer um buraco negro)

Mas a questão é: vocês já pararam pra pensar que 98% dos seus amigos/seguidores não querem realmente saber de tudo isso? Uma coisa é usar o Foursquare (já que os que estão lá querem a função dessa rede social para eles), outra é postar onde você está no Twitter e no Facebook como se alguém realmente quisesse saber disso. Tirando os dias em que eu estou indo encontrar meus amigos dificilmente leio qualquer check-in de Foursquare em qualquer rede social. É como se meu cérebro tivesse criado um filtro “Não me interessa mas é socialmente aceitável”, ou seja, eu não leio e estou pouco me fodendo pra onde você está, mas não reclamo porque todo mundo faz.

Só que ai aparecem os sites e redes sociais pouco aceitos, usados por quem atingiu um novo nível de oversharing: ask.fm, Quem olhou seu twitter, Quantas pessoas olharam seu perfil, Quantos RT’s e Fav’s você recebeu na semana etc ad infinitum. Conheço algumas pessoas que usam isso aí, eu mesma experimentei o de RT’s na semana, mas no 1º compartilhamento já fiquei com preguiça e desvinculei minha conta.

Não julgo quem usa esses sites porque todo mundo é egocêntrico, todos gostam de imaginar que sim, eu sou interessante e todos querem saber da minha vida (triste realidade). Mas é como chegar na sua roda de amigos e do nada soltar uma cachoeira de informações que ninguém pediu: “assisti filme X, fui no lugar Y com Fulano, consegui achievement Z, 40 pessoas olharam meu perfil hoje e olha a foto do meu gato comendo um pernilongo LOL”. Eu realmente espero que você não faça isso, parece sintoma de esquizofrenia.

É aleatório, é desnecessário e agora virou rotina na sociedade online. Quando eu penso nisso até dá aquela vergonhazinha alheia, aquela que você torce a cara sozinho, sabe? Porque eu paro e faço uma lista de pessoas que podem estar verdadeiramente interessadas onde eu estou e no que estou fazendo: o namorado e minha mãe. Pronto. Acabou a lista aí mesmo.

E uma observação: os dois podem me ligar, mandar sms ou mensagem no whatsapp se quiserem saber o que eu to fazendo, onde e com quem. Daí… A vergonha alheia volta.

Claro que o compartilhamento pode ser útil porque você mostra lugares e coisas que seus amigos não conhecem e podem vir a conhecer, mas isso é conversa pra aula de Sociologia com o tema “A internet está acabando com as relações interpessoais”.

De qualquer modo, foi só uma ideia que estava coçando na minha cabeça e eu queria falar sobre. Então você pergunta “quem disse que eu quero saber disso?” e eu respondo “pronto, você entendeu a ideia desse post”.

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