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Pessoas felizes, idiotas e falantes

Hoje fiquei com vontade de postar aqui.

Sei lá, to ouvindo o último cd do Foo Fighters, e ele é tão bom que me dá vontade de expressar minha felicidade por aqui. NOT O cd me deixa feliz sim, mas se eu fosse toda feliz e alegre nunca teria post no blog, porque post feliz é uma merda, né? Ninguém gosta de ver a felicidade alheia, só de amigos próximos e olhe lá ainda, porque a única felicidade legal é a que influencia diretamente no meu dia (ou no meu bolso.).

O senhor ganhou na loteria? Bom pra você. Agora me dá meio milhão ou para de encher o saco.

Não que seja ruim ser feliz, só não tem graça quando não é com você.

Na verdade, além de ser sem graça, pode ser irritante. Por exemplo aquelas pessoas que são sempre sorridentes e saltitantes e tem aquela cara de idiota, como se tivesse acabado de achar um filhote de Panda no travesseiro, todo fofinho e espirrando.

Vemk pra eu te mostrar quanto quero pagar. Só que será em chutes. E na sua cara.

Mas pior do que gente que é feliz demais, é gente que fala demais. Porque tem gente que fala demais quando tá feliz ou triste ou puta da vida ou revoltada ou empolgada ou ansiosa. Resumidamente: tem gente que fala demais. E essas pessoas sempre escolhem você para expressar qualquer que seja o sentimento que estão sentindo. (“sentimento que estão sentindo”, parabéns, Isadora) E elas sempre escolhem você naquele dia em que você está no seu melhor humor da semana, e teve que ir no banco porque você encontrou aquela conta de luz, que venceu ontem, e agora só dá pra pagar numa agência. Dai você chega na fila, com seu fone de ouvido, esperando que o banco exploda e todos morram, só pra você não precisar esperar naquele ensaio de inferno, e chega a desconhecida (vamos chama-lá de Dona Dalva) e começa o monólogo.

Dona Dalva gosta de expressar como acha um absurdo essas filas, que os atendentes são lentos porque não tem vontade de trabalhar, sendo que existem milhões de pessoas no Brasil que querem um emprego e estão sem, e esses atendentes ganhando dinheiro todo dia nessa má vontade. Além de lembrar daquela vez que a vizinha foi no banco e saiu 2 minutos antes de um bandido resolver assaltar a agência e levar até as meias dos clientes. E claro que não pode faltar contar que a 5ª filha vai casar, o noivo não é grande coisa, mas pelo menos a infeliz conseguiu casar com 35 anos. Essa juventude de hoje em dia é uma coisa, né? Na época dela, a mulher que não casasse até os 23 ia ficar para a titia, mas hoje as mulheres casam depois dos 30 e não querem ter filhos, porque elas preferem ter uma carreira. Ora essa, são tempos modernos demais para a Dona Dalva.

E depois disso tudo, depois de 20 minutos de “conversa”, a Dona Dalva percebe que existe a fila preferencial. Claro que ela se sente mal por passar na frente das 40 pessoas que estão esperando tem 35 minutos, mas afinal ela não tem mais idade para ficar em pé tanto tempo, né? Precisa descansar as pernas que não são as mesmas faz 20 anos.

“Não sou melhor do que ninguém para passar na frente, mas tenho minhas necessidades”

Lá vai a Dona Dalva, aquela senhora simpática que falou por 20 minutos sem perceber que você tava com fone de ouvido.

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Arquivado em Domingando, Wait... What?